O que Economia Colaborativa tem a ver com Permacultura
Em verdade vos digo que cheguei na economia colaborativa através da permacultura , e como boa parte de tudo na vida (tirando a porcentagem de coisas que aprendi no youtube) , o aprendizado se deu absolutamente na prática .
Libriano é um bicho louco . Quando cursava Ciências Ambientais (na Unb) inicei o movimento de feira de trocas e brechó aberto nos corredores da universidade , que foi crescendo e agregando muita gente a cada edição , movimento de reuso , economia solidária e cultura . Já nas Artes , passei a me envolver profundamente com a permacultura , iniciando com amigos uma agrofloresta na quadra em que morava e , juntamente com outras iniciativas , o movimento de agricultura urbana em Brasília .
A característica de querer tudo e não focar em nada permanece , assim como a constante do aprendizado na prática . Não me formei em nenhum dos cursos , mas com esses movimentos aprendi um tanto de coisas , desde mobilizar pessoas até sentir e (tentar) respeitar os fluxos naturais . Sim , a ordem é essa mesmo - do macro , do externo , pro micro , de granular a terra com as mãos e sentir seu gosto e eventos na ponta dos dedos .
O mesmo acontece com um sistema econômico . Se nos apoiarmos em apenas um pilar - o dinheiro , por exemplo - uma crise pode botar tudo a perder , e milhares de seres padecem por isso . Por outro lado , a opção de gerar diversidade e conexão está em nossas mãos - quanto mais conexão real entre pessoas , movimentos e locais (somos uma comunidade global e isso é fato) , e quanto mais diversidade de formas de acesso , mais beleza , mais riqueza , mais resiliência ! Esse é o natural !
Libriano é um bicho louco . Quando cursava Ciências Ambientais (na Unb) inicei o movimento de feira de trocas e brechó aberto nos corredores da universidade , que foi crescendo e agregando muita gente a cada edição , movimento de reuso , economia solidária e cultura . Já nas Artes , passei a me envolver profundamente com a permacultura , iniciando com amigos uma agrofloresta na quadra em que morava e , juntamente com outras iniciativas , o movimento de agricultura urbana em Brasília .
A característica de querer tudo e não focar em nada permanece , assim como a constante do aprendizado na prática . Não me formei em nenhum dos cursos , mas com esses movimentos aprendi um tanto de coisas , desde mobilizar pessoas até sentir e (tentar) respeitar os fluxos naturais . Sim , a ordem é essa mesmo - do macro , do externo , pro micro , de granular a terra com as mãos e sentir seu gosto e eventos na ponta dos dedos .
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| Clique aqui para conhecer curto blog da Agrofloresta 312 |
Trabalhando e respirando agricultura urbana todos os dias , eu acreditava que ESSA era a revolução que definitivamente iria mudar o mundo .
Que ia ressignificar nossa relação com a alimentação e entre as pessoas .
Que ia nos dar autonomia alimentar orgânica e empoderar a comunidade em prol dos mesmos objetivos .
E não que não seja , ai de mim !
Mas na fome de ir em busca das raízes eu me questionava .. "ok , mas e as pessoas do campo ? Aqueles que estão lá passando o verdadeiro perrengue pra sustentar as barrigas de todos , 'feudalizados' e envenenados por indústrias megalomaníacas em sistemas de acordos psicopatas , trabalhando de sol a sol pra ganhar pouco .. Se a revolução não for integrada não faz sentido , estaremos numa bolha urbana insustentável e utópica" , e aí comecei a estudar e acreditar muito no poder dos CSA's e compras coletivas , que são economia solidária no sentido de criar relações diretas entre produtores e consumidores e se responsabilizar por todo o processo . Aquilo pra mim foi uma porta mágica e iluminada abrindo no fim - ou continuação - do vórtice de uma verdadeira revolução de peso .
Isso somado ao movimento de trocas e reuso fortaleceu o passo a passo da caminhada que vai na mão oposta do consumismo inconsciente e desconectado da fonte , e que se utiliza de formas criativas , tanto ancestrais quanto inovadoras , de gerar conexão e acesso .
Agora , voltando a permacultura , fui convidada para dar uma palhinha sobre Bancos de Tempo no ultimo PDC que rolou na Nova Oikos . Só gratidão ! Foi um prazer conhecer esse ecocentro e seus guardiões , e partilhar de vivências e encontros potentes (:
Isso me motivou a escrever um pouco sobre como vejo esses dois temas se interseccionarem .
Então .. O que Permacultura tem a ver com Economia Colaborativa ?
- Os recursos estão disponíveis
A Agrofloresta da 312 nasceu primeiramente em sonho e ficávamos esbarrando na questão de elaborar uma autorização . A coisa realmente aconteceu quando decidimos simplesmente fazer (e aliás nenhum dos movimentos mencionados nessa publicação aconteceu através de autorizações hehe) . Estava chovendo , mas no dia marcado saímos de nossas casas e um de nós levou toras de podas da rua , o outro convidou um amigo que chegou de caminhote e estranhamente eu sabia onde havia uma montanha de esterco (em pleno campão!) , precisávamos de cobertura para poda preguiçosa - na rua tinha (papelão com o qual cobrimos a grama para "matá-la") , precisávamos de cobertura orgânica para os canteiros - estavam ensacadas na esquina .
Plantas são a luz do sol organizada ("em um ano, A Terra recebe 80 mil vezes mais energia do Sol do que todas as outras fontes renováveis somadas podem produzir no mesmo período." Fonte) aproveitando harmonicamente os nutrientes do solo , água e ar . Crescem espontâneamente melhorando o solo , purificando o ar e alimentando potencialmente todo o tipo de seres ("das 400 mil espécies de plantas que existem no mundo, cerca de 300 mil são comestíveis, das quais consumimos apenas cerca de 200." Fonte) .
Na natureza , e num sistema agroflorestal , cada planta e cada ser ocupa um nicho , onde aproveitará o máximo da energia disponível , cumprindo seu papel naquele estrato para colaborativamente manter os recursos transformando-se e circulando de maneira ótima no sistema .
Por mais degradado que esteja determinado ambiente , ele pode ser transformado através do cuidado direto e design inteligente dos fluxos energéticos naturais .
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| com cuidado e amor .. |
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| .. tudo se transforma ! |
O mesmo se dá numa rede econômica . Quais são os recursos ? As pessoas , seus talentos , vivências , histórias , aprendizados , ideias , sonhos , as relações .. E se tudo isso existe e está disponível , porque existe miséria , falta , escassês ? O desafio está em gerar conexão para que haja acesso , e nesse sentido ..
- Os fluxos de energia da natureza se organizam para gerar abundância
Sonhar é a semente . Depois , analisar o terreno , reconhecendo seus desafios e potências . Aí , uma vez que você dê um passo em direção a materialização , peças chaves começam a ser atraídas até o seu movimento , naturalmente - isso é o fluxo .
O sol , conforme mencionado anteriormente , é um puta recurso energético disponível , e é super bem aproveitado pelas plantas (e sub utilizado pelos seres humanos) . Porém , isso só é possível porque estamos inseridos em um complexo sistema atmosférico que permite sua entrada no planeta de maneira que possa ser aproveitado pelos seres da Terra . Bastava a não-existência dessa condição , ou a modificação de singelos detalhes , e a vida nem se daria por aqui .
Em todo o planeta essa brincadeira é regra - em torno da energia disponível gira a dança de ovo-galinha de complexificação de sistemas de uso dessa energia , e diversificação de seres que compõem esse sistema . Assim todos os recursos da Terra se organizam de modo que possam estar disponíveis e aproveitáveis para uma amplidão máxima de seres , que por sua vez , logo se adaptam para aproveitá-la sempre da maneira mais eficiente .
Sim , os recursos estão disponíveis , mas sem sistemas inteligentes , os seres que deles poderiam se utilizar , perecem isolados . Pois ..
Sim , os recursos estão disponíveis , mas sem sistemas inteligentes , os seres que deles poderiam se utilizar , perecem isolados . Pois ..
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| Artista : Martin Hill |
- Conexão e diversidade são a chave
Num Saf (sistema agroflorestal) é possível promover e observar o aumento da diversidade e
modificação do ambiente à medida que o sistema vai amadurecendo e complexificando . Se unirmos solo , sementes , água e energia solar respeitando as necessidades de cada planta , ou seja , plantando juntas as que não irão competir pelos mesmos nutrientes nem no solo nem no ar , em pouco tempo veremos o movimento crescente de insetos , aves e outros bichos que passarão a frequentar o local , trazendo consigo outras plantas em seus pêlos , bicos e fezes , bem como outros animais predadores .. Quanto mais diversidade , mais diversidade ! Ninguém fica de fora , todo mundo tem onde morar e do que se alimentar . Assim , o ambiente torna-se mais rico e resiliente ! O carbono que vira galho , se estiver sombreando demais volta pro solo na próxima poda , que vai alimentar as próximas mudas . A grama que é cortada pode ir cobrir o canteiro - assim o sol forte não esturrica o solo e no frio as plantinhas não sofrem tanto . Se uma árvore precisar ser cortada o sistema não se abala tanto - há outras a qual recorrer .
Quando nos apegamos a uma única forma de fazer as coisas , a vida fica sintética , automática , sem criatividade . A natureza é CRIA-ATIVA , assim também devemos ser !
Se nos permitirmos pisar fora da linha , sem pedir autorização para sonhar , plantar , fazer , logo vamos descobrir esse e outros tantos presentes . E um dos melhores é :
Se nos permitirmos pisar fora da linha , sem pedir autorização para sonhar , plantar , fazer , logo vamos descobrir esse e outros tantos presentes . E um dos melhores é :
- Bons projetos têm vida propria
"Bons" é um recurso literário que estou usando sem gostar , pois não quero entrar em juízo de valores sobre o que é ou não um bom projeto . Acontece que certas coisas que vêm , vem com força e vida próprias . Sabemos que acontece quando um monte de gente começa a ter a mesma ideia genial ao mesmo tempo . E aí sentimos que algo potente quer nascer e está procurando uma forma de se materializar . Começa no inconsciente- consciente coletivo . Carece de um pouco de energia catalizadora e plim ! De repente "foge do controle" , e que bom ! Pois essa é uma grande lição que temos que aprender (eu falando comigo mesma..) .
No caso da agrofloresta , como conto no blog , eu ficava maravilhada em ver como , mesmo por períodos sem o cuidado direto dos que a iniciaram , ela continuava prosperando ! Fazia amizades e cativava cuidados por conta própria , mantendo-se sempre viscejando - a coisa mais linda de se ver !
Isso tudo porque a ideia era agregadora - plantar e colher desperta algo de essencial na maioria dos seres humanos - e essa propriedade do projeto enriqueceu minha vida de uma forma sem volta ; pude me conectar com moradores dos blocos , de toda cidade e de outras , entusiastas de agricultura urbana ; com pessoas que trabalhavam em empresas de limpeza e manutenção da cidade , porque plantavam em suas terras de origem , antes de ir a Brasília ; com pessoas em situação de rua e de dependência química , pois sentiam-se acolhidos naquela floresta citadina .
Você pode lançar a semente . O que faz o broto germinar é muito mais do que esse movimento inicial ; é a soma de todos os esforços universais para provê-lo de recursos . E além disso , seu gérmen vital - que é só e inerentemente só seu .
Assim foi com a agrofloresta , assim é com o Banco de Tempo e assim será com a grande rede de Economia alternativa e colaborativa , rica , diversa e conectada que está para abarcar todo o mundo . Aho !
Assim foi com a agrofloresta , assim é com o Banco de Tempo e assim será com a grande rede de Economia alternativa e colaborativa , rica , diversa e conectada que está para abarcar todo o mundo . Aho !






texto maravilhoso ! também pela total sincronicidade com o projeto de ação colaborativa em rede que estamos criando ! queremos muito nos conectar a vc ! abraço, Marcos !
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